Filed under: Allex Schulz, Carol Salvetti | Tags: Allex Schulz, Carol Salvetti, conto, pólem, sal
Texto: Allex Schulz
Fotografia: Carol Salvetti

Como era de praxe, e o comum o enfadigava de maneira assustadora, Josué percebia mais uma vez aquele inverno sofrido, tentando chegar de novo à batidas insistentes à sua porta, com intenções de, sabe-se lá o porquê, entrar. Mas se cair é sempre a segunda parte de pular – pensava ele, porque então entrar não seria a segunda parte de sair? Porque absolutamente não faria sentido algum, assunto encerrado! – concluía ele com expressão de obviedade no olhar. Apesar dos opostos existirem, não necessariamente seguem ordem alguma. A vida não segue roteiro, menos ainda o segundo seria o contrário de primeiro! (pra Josué, rimar feito Machado de Assis era essencial ao menos uma vez por pensamento válido).
Acaba que o óbvio torna-se inevitável, e o viável, inquestionável. Mas partindo da prerrogativa de que muito, de tudo que existe, não é possível controlar – pensava ainda – e pra tudo que acontece, um motivo há, Josué aos poucos tomava a iniciativa sábia de largar o café de lado, e apagar três dos 4 cigarros fumados com toda aquela cafeína pensativa, por doses esporádicas de drinques à base de vodca na companhia de bons amigos.
E agora se deparava com mais uma chata reflexão (chata porque Josué soubera, através de um velho amigo que nunca conhecera, conversara, muito menos vira, que só não refletem: os vampiros e os espelhos embaçados – cada um à sua maneira).
Por uma fração de segundo foi levado a pensar novamente no contrário. É, o CONTRÁRIO. Devia ele era fundar ‘O Clube do Contrário’, já que era tão do contra, e que as idéias de vários contrários no seu itinerário diário já estava dando no saco!
Ir pra trás nunca foi o contrário de seguir em frente. Josué então dobrou à direita.
Texto: Allex Schulz
Fotografia: Carol Salvetti

Tudo sonorizava. O toque sonorizava. Os carros na rua faziam barulho. Os passos faziam barulho. A tv era ligada. O aparelho de som reproduzia mais barulho! Grilos pareciam habitar a cama pelo lado avesso ao que se deita. Seus chinelos cansados emitiam vibração de alívio. Seus pés eram agora cruzados junto às pernas, sobre a cadeira azul de poliuretano. Fogos lá fora. Mais carros e seus pneus em alta velocidade corriam sobre o asfalto. A veneziana não segurava o tintilar da borracha no petróleo petrificado. Todos vinham pela janela. Menos a pulsação do cardio com os músculos frontais do peito desnudo em sábado.
Embebia-se de sabe-se lá o quê. Sabe-se lá..
Filed under: Allex Schulz, Carol Salvetti | Tags: bad trip, criptoniana, salvetti, schulz, sol, tatiana
Texto: Allex Schulz
Fotografia: Carol Salvetti

Às vezes é difícil aceitar o fato de que as coisas vão, vem, vêem, cegam, cegam-se, trepidam, e tudo o que mais se quer saber, é saber! Mas se saber é sentir compreendendo a diferença do outro, então basta só ser compreensivo. Aí continuam a aparecer questionamentos do óbvio, e todo fato quando segue o que se quer, ou mesmo quando foge do previsto, é questionável. Tatiana às vezes não consegue sorrir, e transmite uma aparência amarelada, murcha, envelhecida.. e várias palavras poderiam adjetivar o simples fato de que ela tem estado triste. É, sabe triste, esvanecida? Tatiana ouve fatos, ouve fotos, ouve os irmãos paraguaios, ouve Bad Trip da rita lee, indicada por uma pessoa que mal conhece mas sente boas energias e intenções, a única coisa que não houve é o fato de assossegar-se em paz dentro dela mesma. Por mais que tente, Tatiana se vê insuficientemente forte, mais uma vez, amarelada. Nessas horas ela se sente preguiçosa. Mas por mais que a+b indiquem que Tatiana só apodrece, ainda procura a lua vez em quando no céu escuro, e tenta perceber o brilho todo que tem por si só. Feliz dela ter faltado àquela aula no ensino fundamental pra mascar chicletes com as amigas, senão teria consciência que a lua brilha por reflexo do sol.
Tatiana é uma criptoniana de caráter inalterável, com margem de erro de 0,2 para mais e para menos. Tatiana precisa de sol pra ser lua, mesmo que tenha pouco conhecimento técnico.