Frequentemente a necessidade de repetir me visita não em atitudes ou palavras mas talvez em sentidos de um primeiro mundo. Contudo, o segundo mundo cresce sem o mínimo esforço e espia o que mantenho equivocadamente como tão-somente meu.
Mas a leitura da alma, o garimpo do risco, do que é belo e pequenas intermitências entre igualdades eram as novidades do terceiro mundo que acabara de se compor e já era o preferido.
Filed under: Carol Salvetti, Lisi Garlipp | Tags: beija-flor, borboleta, presença, primavera

uma marca de corte me apareceu no pulso no mesmo dia que brinquei com as estações
O cenário era antigo, monocromático… acho que lá te atravessei realmente
em sonho… no trilho… do trem
Ainda hoje sinto o corte como marca de pulso que apareceu na mesma noite que quis fugir de casa, e minha casa era eu mesma.
Não tem sangue nem dor, apenas a marca que pulso e no corte um bicho parindo a beleza de outro.
torcendo que renasça o que é esquecido…
esperando que ressurja a mais bela presença da primavera…
Finalmente fugi de casa…
como no sonho com trilha de filme
o inverno me acompanhou até metade do caminho
ajudando a proteger o desejo da borboleta pelo beija-flor.
Filed under: Carol Salvetti, Lisi Garlipp | Tags: emerges, facas, sentidos
é costume
é o papel no qual me inscrevi
ser ouvido e não boca
se tu mergulhas, eu me encontro
mas se emerges… não sei se te perdes
ou sou eu quem te perde de mim
a ausência do verbo
não significa fuga dos sentidos
a ausência de actos
sim.

Filed under: Carol Salvetti, Lisi Garlipp | Tags: cedo, contrário, soprando, vento

de tão negro invisível fica, esse lado que nem existe.
o inferno está tão cheio e de lá ficar quero de fora.
transparecida, sabe assim?
diferente… ir pra cima
sei lá… bater um papo com os anjos, devem ser no mínimo interessantes com aquelas asinhas,
ou sem elas, tanto faz.
pode ser em qualquer língua, na minha, na dela, nos sinais… amarelos
e tão fofinhas, as nuvens…
eu acreditei que comê-las a gente podia, um dia… quem sabe.
eu mordo, você engole
tratado.
tudo ao meio do contrário mas, circulando
talvez tenha sido a bagunça que eu arrumei… logo cedo.
assim me deixou… avesso, do.
confesso que gosto do vento soprando por dentro
fazia um tempo
vontade de transformar deserto em mar…
e embora areia já existisse, havia também
uma imagem congelada, um reflexo próprio
de quando a lua não fazia frio
onde o céu abria o calor queimava e queimava…
dentro da boca um gosto anoitecia
mas não se perdia nunca.
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o vento era forte
a chuva irritante.
o risco caiu na poça d’água
mas sentiu a nuvem passar levemente pelas costas.
Filed under: Carol Salvetti, Lisi Garlipp | Tags: escuridão, labirinto, segredo
no dia em que o sol se revoltou contra o céu e optou pela escuridão eu o permiti que me carregasse para um labirinto dentro de sua chama.
Eu o lia tão quente e urgente porém, tão impossível que ele me deixasse queimar ou consumir.
Gostaria de dizer o que presta na poeira de um dia para, quem sabe, acalma-lo mas, o sol, com o coração na garganta, pedia só que eu contasse os segredos da lua.
Filed under: Carol Salvetti, Lisi Garlipp | Tags: calma, inferno, poros, tormenta

- continuem dilatando – é o que peço a meus poros – até que de tão abertos, em vocês
brotem meu jardim.
eu culparia os olhos que me ardem
diria: é no inferno que me acho
mas aqui do lado eu vejo a calma dando tapas na tormenta.


