Filed under: Lisi Garlipp
Quando se possui a linguagem universal das águas, amor, como desacreditar no que não me diz?
Você veste a verdade como uma puta
que vê o mundo com olhos de fantasia.
desenxergar a hora dos dias em que me consome…
A décima oitava hora de todos os dias que ainda disfarço…
A décima que você me mata
A oitava que sobrevivo.
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‘ o corpo sentia…
porque realmente fazia muito frio na maioria dos espaços…
Exceto, porém, reto na rua alí depois do quebra mola primeira a esquerda
onde o sono se esquentava para que quando a noite encolhesse
os sonhos se rendessem ao que de inquieto existe dentro do peito.
Caído no asfalto um pedaço de papel surrado escrito: “talvez o acaso tenha ajudado a decidir seu destino”
O acaso era a rua.
E o destino?! – Estava pra lá da avenida central.
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Meu desassossego carrega uma esquina nas costas e não me dirá nunca. Ora, amor, não sei tratar-te de outra maneira senão essa: -como se estivesses prestes a enforcar meu coração. Não há tocado minha mão a noite inteira. Minha garganta come todas as palavras antes que elas tenham chance de te alcançar. E o pensamento... não aceita ordens de alguém como eu.
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a gente vê mas não enxerga não levanta o olhar, tampouco a suspeita.
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Se a pergunta nos desse trégua e a fome de ter sufocasse o medo… A dúvida calaria a ela mesma e a água que lava continuaria a escorrer entre as pernas… Mas o corpo entrega - sem querer - Adiantaria dizer que sim? ou não?
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Minha alcatéia particular rasgando as cortinas com unhas de ferro ao mínimo sinal de um novo personagem. Exposta no centro a figura atada, como minhas palavras. Seu corpo padece pela impossibilidade de preencher o silêncio. Mas sua mente acorrenta-se à liberdade de ter todas as histórias.
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Tinha acabado de despertar de sonhos terríveis
com gente povoada de sombra por dentro.
Só que estranhamente belo,
como as veias que Sophie reparou saltar do braço
de quem a segurava,
era sentir fisicamente a asfixia
de seu desejo.
A escuridão não vinha das pessoas,
mas do que elas significariam ao acordar.
Tanto perigo solto que o coração até goza.
Paixão não recíproca, para Sophie,
é arder em mar de água fria.
Seu desequilíbrio vem de amores correspondidos.
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corre, amor, corre. estou sentada há duas horas nesse meio-fio à espera do acaso te colocar na minha frente. faz tanto frio e ontem já faz tanto tempo. aí você me toca com a mão de sempre com o sorriso de sempre e não imagina como meu coração tem sido um deserto.
Sophie tinha medo de palhaços até que se apaixonou por um.
Sério…
Com direito a nariz vermelho e sapatos largos.
O caso é que ela jamais poderia vê-lo sem roupas estranhas
e máscaras na conversa.
Sophie pensava que a beleza guardava a feiura na mesma proporção.
Onde estaria a dele, então?
Pensaria sobre isso mais tarde. Deixou que seu amor se vestisse com todas as mentiras que quisesse
afinal, ela mentia também pra só depois transformar em verdade…
Como isso de amar um palhaço.
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Enquanto houvesse a desculpa que os olhos não fechavam,
a desculpa que a qualquer momento uma luz pudesse cair do céu na terra…
haviam perguntas, sempre minhas, que escorriam como escorre sangue por dentro e a gente nem sente.
É que eu não sou igual.
E você… tão igual quanto não precisaria ser.